quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Cinco centavos

Nada se perde, tudo se transforma. Achei uma moeda de cinco centavos no chão. Não que valha muito, afinal, após a extinção da moeda de um centavo, a de cinco passou a ser a de menor valor.

Talvez quem a deixou cair no chão nem tenha percebido. Ou talvez tenha voltado à pé para casa. Nesta última hipótese, seu valor beiraria o inestimável.

Destinada a um cofre qualquer, aquela moeda, cujo real valor nunca saberemos, calhou de mostrar-se a meus míopes e recém acordados olhos. Abaixei-me, recolhi aquele pedaço de metal tirado à calçada e guardei em meu bolso.

A princípio, uma atitude corriqueira e inofensiva, uma vez que seria impossível rastrear seu último portador. Passado o dia, a sensação de estar retendo algo que não é de meu. Bagatela. Mas não minha.

Passarei-a adiante. Talvez deliberadamente deixe-a em algum lugar em que alguém, com olhos quiçá astigmatas e cansados da jornada, possa vê-la e decidir a sua sorte. Assim ela, ou outra moeda cujo valor real também nunca iremos saber, chegará novamente em minhas mãos, completando o ciclo de trocas econômicas, mas, sobretudo, de reais valores que nenhum engenho é capaz de medir. Isso lá são coisas da arte.

3 comentários:

Angelo Augusto Paula disse...

Fazer crônica com uma moeda de cinco centavos, definitivamente é um talento! Amigo, que bela descoberta!

Melanie disse...

Gostei demais! :)

Lex disse...

E hoje fiquei devendo cinco centavos para o moço da banca. A moeda já tem seu destino!