segunda-feira, 12 de abril de 2010

Cavalheiro do Ocaso

Saíam amiúde a passear pelo campo tomando ar fresco e esquentando-se ao sol que antecede o ocaso. Como dois astros a bailar pela Via Láctea, ambos se orbitavam, se refletiam e não se eclipsavam.

Ele, sempre muito atento às suas palavras, mostrava-lhe calado as miudezas do céu e da terra. Cada gesto seu era permeado de palavras - um discurso sobre o que há e o que não-há que era somente compreendido pelos dois.

Davam-se as mãos, sentavam-se à beira do riachinho, molhavam os pés, coletavam pequenas pedrinhas do leito, jogavam as cinco marias. Olhavam-se. Riam-se. À volta, como naquelas histórias infantis, ele recolhia um ramalhete de flores e as soprava pelo caminho. E a felicidade, então, apenas seguia o perfume.

4 comentários:

fabricioooo disse...

^^

Aline disse...

Ah, como sempre... Ahhhhh!!!

Você é um fofo!

XOXO

Li:)

fabricioooo disse...

Pois que tudo no mundo é feito de miudezas!

Vanessa disse...

Que coisa mais lindaa...
Encantada aqui! Dá vontade de não parar de ler!